domingo, 14 de abril de 2013

Mamãe Mandou - The Strokes -Comedown Machine(2013)


Tentando transformar minha mãe numa autêntica Hipster   e descomplicar um pouco a linguagem da crítica musical especializada ( que tá conseguindo ser bem xarope com seus jargões  meta-modernos) ,  a equipe do Gonzagatron resolveu criar uma sessão de Reviews voltada para os lançamentos de 2013 . 


STROKES TENTANDO VOLTAR PARA O FUTURO 


por Fabio RV



(foto @Casablancas_Julian)

Nem a mente mirabolante de Hugo Cabret , poderia bolar algo tão complexo como  a "máquina do revés " (Comedown Machine) de Julian Casablancas e seu clube da esquina  numa viajem interminável pelas influências musicais dos anos 80 , na qual  o vocalista do Strokes embarcou durante a  desmistificação dos mistérios da juventude de Phrazes For The Young (2009), e agora  parece empolgar toda a banda nessa onda de experimentação. Prova disto, a banda parece que superou os fortes atritos ocorridos nas gravações de Angles(2011).

Quando qualquer banda entra nesse caminho de  experimentação musical é claro que as críticas serão mais pesadas., a ponto de surgirem algumas minhocas na cabeça do pessoal da Rolling Stone :

" Não está muito claro porque  os Strokes gravam discos atualmente não é?  Comedown Machine parece mais uma demostração de o quanto Julian Casablancas respeita a New Age". 


O pessoal de lá   parece  ainda não ter sacado que a banda  saiu do rock cru e pesado do CBGB's , há algum tempo, para se render de vez a Glória Gaynor interior, ou a uma noite de festa no bairro do Village, prova disto o canto em falsete de " One Way Trigger". Ainda que algumas coisas presentes neste disco de 2013 pareçam jás ter sido testadas, timidamente, em  First Impresion Of Earth(2005),  vocô pode fazer um teste você ouvindo "Killing Lies","Evening Sun" e "Ask Me Anything"  logo após a audição de  Comedown Machine(2013).

Aos fãs  mais ortodoxos de Strokes ,que já estão se desesperando, acalmem-se o combo "Big Mac"  (que são aquelas faixas  básicas onde a banda mostra o rock mais visceral  que os consagraram no início dos anos 2000 ainda está lá em faixas como " All The Time",  "50/50" e "Partners of Crime". No entanto, este disco no contexto geral vem  menos calórico do que Angles(2011) no quesito rock and roll rápido e grosseiro.


1- Tap Out

Não sei quanto a vocês mais eu  sinto o cheiro de Blondie , ou melhor ouço muito  de "Heart of Glass" nessa canção de Comedown Machine.


2- All The Time 

É  aquela canção que vem com personalidade , rock visceral com uma linha de baixo marcante como em  "Reptilia", com Fabrício Morreti soltando o braço na bateria.


3- One Way Trigger

A canção mais polêmica do disco, se a intenção  da banda era fazer propaganda e fazer você ouvir várias vezes a música e ir as redes sociais pelo menos duas vez por  dia para entender o que estava acontecendo, isso funcionou. Alguns disseram que as influências dessa música vem do tecno-brega outras das músicas de anime. Vamos fazer uma coisa :

  •  exclua o sintetizador e a parte mais exagerada do vocal que é onde Julian canta em falsete;   
  • concentre-se mo riff da guitarra;  
Muito bom você se livrou de algumas coisas que  podem ser consideradas irritantes nessa música, mas  também perdeu a chance de fazer um arrastapé com a Gaby Amaranthus , soltar o cantor  de chuveiro que existe em você ou encontrar a fusão musical entre Glória Gaynor  e um  Nitendo- DS..


4- Welcome To Japan

Teríamos  o Eurythimes  estaria fazendo uma canção para a trilha sonora de Jaspion 2000?
Nada disso é só o pessoal do Strokes  ensaiando pra ser David Bowie , mas ainda pensando na Debbie Harry do Blondie.

5- 50/50

Aqui vemos que o coração   nova iorquino sujo de " Is This It" ainda bate, com um pitada de rebeldia adolescente. Riff de guitarra contagiante e vocal raivoso.

6- 80's Comedow Machine

Uma " Ask me Anything " um pouco menos sombria.

7- Slow Animals

Uma música muito interessante , com vocal suave e uma bateria caprichada em requinte.

8- Chances

Essa canção lembra muito o que a maioria das bandas como Foster To The People  e  até The Killers    andam fazendo ultimamente.

9- Partners In Crime

Mais uma faixa com bastante inovação e ousadia musical  neste disco.

10-Happy Endings 

Aqui é como se algumas canções de  "Pet Sounds"  fossem atualizadas para serem tocadas no seu video game de 8 bits.

11- Call It Fate, Call It Karma

Alguém me disse que essa é uma música de elevador feliz, mas não é bem assim me aprece mais uma canção do Tom Jobim sendo executado no estilo "Piano Bar" ,  a exemplo de "Call Me Back " em Angles(2011).



Influência que vão além do rock roll visceral, do punk novaiorquino de CBGB's existem na sonoridade dos Strokes há muito tempo , só que não escutou " Soma", " Under Control" e outras faixas citadas anteriormente nesse review é que ainda torce o nariz  toda vez que a banda, foi assim com Angles(2011), apesar da maioria das revistas musicais especializadas terem elogiado bastante o disco, ele causa até hoje  certa polêmica entre o pessoal que tem uma camiseta com a letra inteira de " Last Nite" estampada. Mas se uma banda não causar polêmica, se reinventar e causar um burburinho, toda vez que lança um disco  e ficar só em mais do mesmo não há fã ou talento musical que resista por muito tempo. 

Hasta Pronto !

Comedown Machine(2013):



Angles(2011)




Phrazes For The Young(2009)- Julian Casablancas 













sábado, 6 de abril de 2013

Três Patetas e um Iguana - Parte I Origem das Espécies




Por Fabio R.V


Quando se anda por aí  numa das ruas da moda de uma cidade grande , procurando por diversão ou apenas
com a intensão de ficar observando as pessoas tomando sua merecida cerveja depois de um dia de trabalho cheio de tédio, algumas coisas interessantes acontecem.Um dia conheci um jovem desgarrado, com certas tendências masoquistas que me disse:




"Eu sou um filho fugitivo de uma bomba nuclear
Eu sou o garoto esquecido do mundo
Aquele que procura e destrói "


Esse cara morava num trailler , perto da cidade , e sem saber eu estava conversando com um dos
maiores super heróis do Rock and Roll.



Identidade secreta : James Osterberg Júnior conhecido popularmente como Iggy Pop,é filho de um professor irlandês moralista  e uma controladora de vôo vinda da Noruega .Conhecido pelos seus superpoderes de regeneração que incluí: sobreviver a garrafas lançadas sobre sua cabeça em todo show,
dançar sobre os cacos de vidros que ficam no palco, alta resistência as drogas(como Ozzy e Richards) e  outras habilidades improváveis que permitiram  ao cara recuperar a sua carreira musical quando meio mundo a considerava morta e enterrada.

Começou a carreira musical como baterista em uma banda de colégio com o nome The Iguanas:




            





As grandes realizações dos Iguanas, o pequeno sonho adolescente de Iggy Pop, se resumem há  shows locais na cidade de Ann Arbour, a gravação de um compacto em 1964 e a uma temporada como banda contratada no hotel Harbor Springs, ao lado da banda The Shangri-las

Após os meninos tomarem aquelas conhecidas broncas dos pais,  que queriam  que eles se tornassem adultos respeitáveis, com um emprego descente no escritório do avô ou nos correios, nosso pequeno baterista  voltou-se para atender as expectativas de seu pai o Profº Osterberg, indo frequentar o curso de Antropologia na Universidade de Michigan. No entanto como em toda faculdade James Júnior  todo dia  na hora do almoço topava com aquela galerinha que fica de bobeira no morrinho perto das salas de aula. Tom Wherer era um desses rapazes, que levou Iggy até sua casa para ouvir alguns discos e conhecer sua mãe a titia Anne.

Tia Anne, era uma pessoa engajada em projetos culturais de cinema e música , que conhecia umas pessoas legais na cidade de Nova Iorque como Andy Wharol e seus pupilos do The Velvet Underground, e a atriz Jane Fonda. Então  novamente inspirado por Anne Wherer , para seguir suas ambições no mundo da música    
Iggy caiu fora da Universidade de Michigan, e passou de estudante para objeto de estudo no ramo da Antropologia. 



Com dezoito anos recém completos, e agora trampando em uma loja de discos  I. Pop( ainda chamado pelos amiguinhos de James),  é descoberto pelos músicos do The Prime Movers, que  estavam com um cargo vago de baterista na sua banda de blues, e resolveram confiar nas histórias contadas pelo povo, sobre a virtuosidade do ex-batera do Iguanas. 

James Osterberg Júnior, então se mudou para uma república mantida pelos rapazes do Prime Movers, foi nessa época que  recebeu o apelido de Iggy , obviamente uma referência a sua banda anterior Iguanas. A turma da fofoca conta que durante sua passagem no Prime, Iggy ainda era "careta", não sendo ligado ao álcool e as drogas mas a politica.



" The Prime Movers : Eles eram puristas, inspirados pelo blues clássico de Chicago e por Paul Butterfield Blues Band, aqueles que provaram que garotos brancos podiam tocar blues

(Terry Jenkis -Allmusic)"





O Prime Movers era uma banda profissional , e como todo banda do tipo tinha um manager Jeep Holland,
que levou os rapazes a explorarem os limites fora de Ann Arbour, cidades como Chicago,Detroit  e alguns  circuitos de rock independente .Porém Holland fez a besteira de recurar uma  proposta da legendária Motown's Records. Iggy deixou a banda em 1967, um pouco antes deles seguirem para São Francisco para uma temporada de apresentações. Os Movers encerrariam  suas atividades três anos depois em 1970.

Sozinho em Chicago , Iggy Pop decidi fazer um telefonema para seu aluno de bateria e amigo Scott Asheton. Ele decidiu largar a cidade,  o seu passado de baterista de blues e recomeçar em sua cidade natal novamente, e logo os Stooges entrariam em cena.

Ron Asheton (Guitarrista do Stooges): "Meu irmão mais novo, Scotty, e nosso vizinho Dave Alexander
eram punks chapadões. Eu era apenas um garoto estranho. Nós não nos encaixávamos  lembro que um ano antes tentamos voltar ao colégio mas no primeiro dia Scotty já queria ser expulso, então ele tentou  trancar um garoto em seu próprio armário, agarrando-o pelos braços e torcendo-os com ajuda de um alicate. Mas o garoto conseguiu correr indo até a sala do do diretor. Então uma voz veio pela caixa de som da escola 
- Scott Ashetton venha até minha sala ! . E assim ele foi expulso".( da enciclopédia do punk rock "Mate Me Por Favor" )
Vadiando  novamente pelo campus da Universidade de Michigan , em 1967,  como um renegado do blues Iggy  topou um dia com uma universitária que convidou o rapaz para assistir uma apresentação de  rock uns sujeitos que estavam passando pela cidade, uma banda chamada The Doors,  pra quem Iggy torcia o nariz. 
Como estava afim da garota ele topou ir no tal show, e também convidou os seus amigos Ron e Scott Asheton (que conforme a versão dos fatos ficaram de fora do show por não possuírem identificação de aluno) Iggy usou o golpe mais velho conhecido por qualquer estudante que não frequenta mais nenhum curso   universitário na face da terra pra conseguir entrar usando sua I.D de aluno do ano anterior. Testemunhas oculares contam que o Doors subiu no palco sem o vocalista, claro, e começaram a tocar,  Jim apareceu alguns minutos depois ( no seu estado natural "chapadão" ou seria "estado de incorporação de pajé/shaman  "?)  grunhindo e fazendo uns gritinhos em falsete  por uns 15 ou 20 minutos, o que levou claro a platéia a começar a atirar coisas nele. Educadamente o baterista da banda  foi o primeiro a  deixar o palco, seguido pelo resto da banda. Morrison,  ficou lá por mais alguns minutos cantando "Maggie M’Gill" em um versão bêbados em fim de festa, até se tocar em cair fora. 




A grande reação de Iggy Pop, a esse acontecimento foi mirar nos olhos da garota e dizer : " Se esse cara pode fazer isso eu também posso."  E assim morre o educado  baterista James Osterberg  Jr. e surge o Iggy Pop nosso de cada dia.